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Periodização: conhecimentos necessários

Eu tenho feito diversas postagens sobre treinamento esportivo e no meu site ainda há um curso de iniciação aos seus conceitos e sua aplicação.

Recentemente um estudante terminou esse curso no meu site e me enviou uma mensagem para agradecer.

Ele disse que tinha aprendido bastante e agradecia muito a oportunidade. É lógico que me senti prestigiado pela mensagem dele. Mas respondi que esse é realmente um curso de iniciação ao assunto.

Eu não tinha a expectativa de discutir tudo aquilo que eu acho importante de se saber.

Então, conclui, você aprendeu um pouco. Continue os seus estudos.

Eu já disse para você que podemos entender a periodização como a organização dos conteúdos de treinos ao longo do tempo disponível para treinamento.

Mas isso, por si só, não é o suficiente para saber fazer uma periodização.

Eu também já disse que existe uma certa lógica em cada modelo de periodização.

Mas saber isso, apesar de muito importante, também não é o suficiente.

Eu também acredito que seja muito importante de se conhecer quais são as características da modalidade esportiva – suas necessidades, regras, capacidades motoras mais importantes.

O que o seu atleta deve treinar?

Eu também preciso conhecer e estudar o calendário de competição. O meu atleta vai competir uma vez por mês ou uma vez por ano?

A competição dele é de um dia, quatro dias ou um mês? Qual é a importância de cada uma dessas competições?

Tudo isso precisa ser considerado.

Associado a esses fatores, outro ponto se faz importante. Quem é o meu atleta? Quais são as suas características – necessidades, pontos positivos e negativos?

Eu deveria treinar aquilo que ele tem condições de fazer e prepará-lo para o que ele precisará fazer (ao longo de sua carreira). Mas o que exatamente é isso? O que ele precisa agora e o que precisará depois?

E o treinamento não se resume a parte física. Temos a técnica, tática, condição emocional, motivação. Para todas essas variáveis deveríamos pensar nos objetivos de curto, médio e longo prazo.

Também é importante o treinador conhecer sobre processos de recuperação. O treinamento consiste na capacidade de treinar bem e de descansar bem.

Destaco ainda a necessidade de se testar (tudo aquilo que se treinar) e avaliar. O que testar, como testar e quando testar.

Também já discutimos que testar e avaliar são condições diferentes. Poucos treinadores testam e menos ainda são os que avaliam.

E esses são apenas uns pontos que um bom treinador deveria conhecer.

Depois de conhecer isso tudo, o treinador deveria “bater essas informações no liquidificador”, refletir sobre elas e se organizar para fazer o treino da melhor maneira possível.

imagem que representa a comunidade Legado Azul do prof. Guilherme Tucher

É docente no curso de graduação e no programa e pós-graduação em educação física da Escola de Educação Física e Desportos (EEFD) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Na EEFD ainda é coordenador do Grupo de Pesquisa em Ciências dos Esportes Aquáticos (GPCEA).
Doutor em Ciências do Desporto (2015), Mestre em Ciência da Motricidade Humana (2008), Especialista em Esporte de Alto Rendimento (2014), em Natação e Atividades Aquáticas (2004) e em Treinamento Desportivo (2005), e Graduado em Educação Física (2003).
Docente no ensino superior desde 2005, atuou ainda como professor de natação trabalhando com diferentes níveis de aprendizagem e aperfeiçoamento, bem como treinador de natação competitiva participando de campeonatos estaduais (RJ) e nacionais.

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