
Gestão de escola de natação: 6 lições para fazer o negócio funcionar
- Postado por Guilherme Tucher
- Data 28 de agosto de 2026
- Categorias Notícias
- Comentários 0 comentário
Gestão de escola de natação: o que realmente faz um negócio funcionar
Abrir uma escola de natação porque você é um bom professor pode parecer um caminho natural. Mas existe um problema: saber ensinar natação e saber administrar uma escola de natação são competências diferentes.
Essa foi uma das ideias que mais me chamou atenção em uma conversa que tive com a professora Élide Pulcherio, proprietária de uma escola de natação há 18 anos.
Sua experiência mostra que uma escola sustentável não depende apenas de boas aulas. É preciso unir qualidade pedagógica, gestão, formação da equipe, controle de custos e clareza sobre aquilo que a escola pretende oferecer.
Professor e gestor precisam olhar para coisas diferentes
Nossa formação em Educação Física é predominantemente técnica. Estudamos aspectos relacionados ao exercício, ao movimento e ao ensino. Quando um professor decide abrir sua própria escola, porém, passa a lidar com problemas para os quais a graduação nem sempre o preparou.
Contratação, vendas, atendimento, custos, precificação, liderança e gestão de pessoas passam a fazer parte da rotina.
Por isso, Elide chama atenção para a necessidade de buscar formação também em gestão. Ao longo de sua trajetória, ela realizou diferentes cursos, inclusive em áreas como gestão de pessoas e vendas.
Essa talvez seja a primeira lição para quem deseja administrar uma escola de natação:
não tente administrar um negócio utilizando apenas a sua visão de professor.
O conhecimento técnico continua sendo indispensável. Mas ele não é suficiente.
Qualidade pode ser mais importante que quantidade
A escola de Elide já chegou a aproximadamente 470 alunos. Hoje trabalha com cerca de 200. Essa redução, porém, foi acompanhada por uma decisão consciente: priorizar mais a qualidade do que a quantidade.
Esse é um ponto particularmente importante porque existe uma tentação de avaliar o sucesso de uma escola apenas pelo número de matrículas.
Mais alunos significam necessariamente uma escola melhor?
Não.
Aumentar excessivamente o número de alunos por turma pode reduzir a atenção oferecida pelo professor e comprometer a qualidade do serviço. Portanto, a pergunta não deveria ser apenas “quantos alunos cabem nesta turma?”, mas “quantos alunos consigo atender mantendo o padrão de qualidade que prometo?”
O preço da mensalidade não deve ser definido pelo concorrente
Outro ensinamento importante da conversa diz respeito à precificação.
É comum o gestor observar quanto outras escolas cobram e estabelecer sua mensalidade a partir disso: “se meu concorrente cobra X, vou cobrar um pouco menos”.
Elide trabalha com outra lógica: conhecer o custo das turmas e fazer com que cada uma seja economicamente sustentável.
Isso muda completamente a pergunta.
Em vez de:
“Quanto as pessoas estão cobrando?”
a gestão precisa perguntar:
“Quanto custa entregar o serviço que eu quero oferecer?”
Investimentos em tratamento e aquecimento da piscina, profissionais, estrutura e manutenção fazem parte dessa conta. Reduzir custos é importante, mas não deveria significar automaticamente reduzir a qualidade.
Sua equipe precisa entender a filosofia da escola
Uma escola de natação não entrega apenas aquilo que seu proprietário acredita. Ela entrega aquilo que sua equipe consegue colocar em prática.
Por isso, contratação e formação profissional aparecem como elementos centrais.
Na seleção de profissionais, Elide destaca características como comprometimento, simpatia, proatividade, capacidade de relacionamento e disposição para aprender. O conhecimento específico da função pode ser desenvolvido posteriormente.
Essa lógica também explica o trabalho com estagiários. Alguns profissionais da escola começaram ainda como estudantes e foram formados dentro da própria filosofia do espaço.
Formar a equipe não termina na contratação
Também não basta contratar alguém adequado e esperar que tudo funcione.
A escola realiza reuniões periódicas, oferece feedback e investe na formação dos colaboradores. Professores precisam compreender que fazem parte de uma organização e que sua atuação interfere na experiência do aluno, no relacionamento com as famílias e no próprio negócio.
Uma metodologia só se transforma em identidade quando a equipe inteira consegue compreendê-la e colocá-la em prática.
Saiba por que sua escola existe
Talvez uma das ideias mais importantes da conversa seja também uma das mais simples: uma escola precisa saber qual é o seu propósito.
A própria estrutura física da escola de Elide foi pensada a partir daquilo que ela acredita sobre ensino. A piscina não foi construída para treinamento competitivo. O objetivo era outro.
Isso exige escolhas.
Tentar atender todos os públicos, oferecer todos os serviços e responder a todas as demandas pode parecer uma oportunidade de crescimento. Mas também pode fazer a escola perder sua identidade.
Antes de decidir o tamanho da piscina, o número de alunos, os serviços oferecidos ou até a metodologia utilizada, vale responder:
Por que minha escola de natação existe e o que eu quero transformar na vida das pessoas que passam por ela?
Quando essa resposta é clara, várias outras decisões ficam mais fáceis.
Gestão de escola de natação também exige estudo
Há um elemento que atravessa praticamente toda a trajetória relatada por Elide: formação continuada.
Ela estudou natação, mas também buscou conhecimentos de gestão, vendas, liderança e relacionamento. Participou de cursos, buscou apoio especializado e continuou aprendendo mesmo depois de muitos anos administrando a própria escola.
Esse talvez seja o ponto que conecta todas as outras lições.
Uma boa escola de natação precisa de bons professores. Mas precisa também de alguém capaz de entender pessoas, números, processos e posicionamento.
Quem só estuda natação pode acabar descobrindo, tarde demais, que administrar uma escola exige muito mais do que saber ensinar a nadar.
Este artigo foi elaborado a partir de uma conversa que tive com a professora Elide Puccelli, que compartilhou comigo aprendizados construídos ao longo de 18 anos à frente de sua escola de natação.
Quer assistir à conversa completa?
Veja o vídeo no final do texto.
Quer aprofundar sua formação?
Se você acredita que ser um bom professor de natação exige muito mais do que dominar exercícios e técnicas de nado, a Comunidade Legado Azul foi criada justamente para profissionais que querem continuar estudando, refletindo sobre sua prática e construindo uma atuação de excelência.
Conheça a Comunidade Legado Azul e continue sua jornada de formação.
Saiba mais: https://guilhermetucher.com.br/legado-azul/
Tag:gestão esportiva
É docente no curso de graduação e no programa e pós-graduação em educação física da Escola de Educação Física e Desportos (EEFD) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Na EEFD ainda é coordenador do Grupo de Pesquisa em Ciências dos Esportes Aquáticos (GPCEA).
Doutor em Ciências do Desporto (2015), Mestre em Ciência da Motricidade Humana (2008), Especialista em Esporte de Alto Rendimento (2014), em Natação e Atividades Aquáticas (2004) e em Treinamento Desportivo (2005), e Graduado em Educação Física (2003).
Docente no ensino superior desde 2005, atuou ainda como professor de natação trabalhando com diferentes níveis de aprendizagem e aperfeiçoamento, bem como treinador de natação competitiva participando de campeonatos estaduais (RJ) e nacionais.
Você também pode gostar
O que a natação pode aprender com a Copa do Mundo de Futebol?

