
Natação no Mar: a história do projeto que transformou o ensino da natação em águas abertas no Brasil
- Postado por Guilherme Tucher
- Categorias Notícias
- Data 2 de novembro de 2025
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Uma história que começou com um mergulho de coragem
Em 2005, a professora Izabel Thomas decidiu levar seus alunos da piscina para o mar. O que parecia uma simples mudança de cenário acabou se tornando uma revolução: nascia, em Rio das Ostras (RJ), o projeto Natação no Mar, o primeiro programa estruturado de ensino da natação em águas abertas do Brasil.
A ideia surgiu de forma espontânea, durante um treino no mar. Izabel conta que, naquele dia, percebeu que não havia motivo para limitar o aprendizado às bordas da piscina. “Peguei todo mundo e levei pro mar”, lembra ela. Foi assim, com coragem e propósito, que começou uma história que hoje inspira projetos em todo o país.
O pioneirismo que virou referência nacional
Quando a Natação no Mar surgiu, não existiam modelos ou dados sobre como ensinar natação fora das piscinas. Tudo precisou ser pensado do zero: metodologias, segurança, dinâmica das aulas e adaptação dos alunos a um ambiente completamente novo.
Com o tempo, o projeto cresceu e ultrapassou as fronteiras de Rio das Ostras. Professores formados ali começaram a criar suas próprias iniciativas em outras cidades — de Copacabana a João Pessoa, espalhando o espírito do mar e do ensino com propósito.
“A gente tem que criar filhos para o mundo”, diz Izabel, referindo-se aos professores e alunos que seguiram seus próprios caminhos após passarem pelo projeto.
Mais do que nadar: ensinar a respeitar o mar
O Natação no Mar sempre foi muito mais do que uma escola de natação. Isabel e sua equipe ensinam também sobre respeito à natureza, segurança e consciência ambiental.
As aulas abordam não só técnicas de nado, mas também o comportamento das ondas, o equilíbrio corporal, os riscos, o socorro e o cuidado com o ambiente. Durante a pandemia, o grupo chegou a criar pontos de coleta de lixo na praia e desenvolveu o Projeto Maré, que une prática esportiva, sustentabilidade e geração de renda por meio da reciclagem.
O mar como sala de aula e como escola de vida
Ao longo de 20 anos, a Natação no Mar formou centenas de alunos e professores. Muitos começaram com medo, sem saber nadar, e hoje ensinam outras pessoas a se desafiarem no mar.
A experiência, segundo Isabel, vai além do físico — envolve superação, convivência e autoconhecimento.
“Eu me sinto mãe. É amor, dedicação, acolhimento e também disciplina. No mar, a gente ensina muito mais do que natação.”
Lições para quem quer começar um projeto em águas abertas
O sucesso da Natação no Mar oferece aprendizados valiosos para quem deseja iniciar algo parecido:
1. Comece com propósito, não com pressa
O projeto nasceu de uma ideia simples, mas foi consolidado com estudo, observação e cuidado. Isabel passou o primeiro ano pesquisando sobre o mar, entendendo suas dinâmicas e definindo um método seguro.
2. Priorize a segurança
Ensinar natação no mar exige domínio técnico, atenção constante e preparo para emergências. É essencial conhecer os limites da equipe, as condições do local e ter equipamentos adequados de apoio (caiaques, bóias, coletes etc.).
3. Valorize o ambiente e a comunidade
O mar é parte viva do processo de ensino. Cuidar dele e envolver a comunidade local são atitudes que fortalecem o projeto e criam sentido para quem participa.
4. Forme pessoas, não apenas nadadores
Muitos dos professores do projeto foram, antes, alunos. Investir em vínculos e desenvolvimento humano faz o projeto crescer de forma sustentável.
Um legado que continua se espalhando pelo Brasil
Hoje, o nome “Natação no Mar” já é sinônimo de ensino em águas abertas. Em Copacabana, João Pessoa, Maceió e várias outras cidades, há grupos inspirados por Izabel Thomas e sua equipe.
O que nasceu como um gesto de coragem transformou-se em um movimento nacional de reconexão com a natureza e com o próprio corpo.
E neste ano de 2025, o projeto celebra 20 anos de existência, com um evento especial nos dias 6 e 7 de dezembro, na Praia da Boca da Barra, em Rio das Ostras — um encontro para comemorar, relembrar e seguir inspirando novas histórias.
Conclusão – o mar ensina quem tem coragem de aprender
A história da Natação no Mar mostra que os grandes projetos começam com uma boa pergunta: “E por que não?”.
Para quem deseja criar iniciativas parecidas – seja na natação, no surfe, na canoagem ou em qualquer esporte aquático – o exemplo de Izabel Thomas é um lembrete de que ensinar no mar é também ensinar a viver com propósito, respeito e paixão.
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É docente no curso de graduação e no programa e pós-graduação em educação física da Escola de Educação Física e Desportos (EEFD) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Na EEFD ainda é coordenador do Grupo de Pesquisa em Ciências dos Esportes Aquáticos (GPCEA).
Doutor em Ciências do Desporto (2015), Mestre em Ciência da Motricidade Humana (2008), Especialista em Esporte de Alto Rendimento (2014), em Natação e Atividades Aquáticas (2004) e em Treinamento Desportivo (2005), e Graduado em Educação Física (2003).
Docente no ensino superior desde 2005, atuou ainda como professor de natação trabalhando com diferentes níveis de aprendizagem e aperfeiçoamento, bem como treinador de natação competitiva participando de campeonatos estaduais (RJ) e nacionais.
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